POR UMA
APOLOLOGIA DA BOA E VELHA EBD!
João
Oliveira Ramos Neto
Historiador
e pastor, redador da revista Realização e membro da SIB em Goiânia - GO
Em muitas igrejas onde sou
convidado a pregar, tenho visto muitas EBD’s vazias. E, muitas vezes, o convite
para a preleção é justamente para falar sobre a importância e a necessidade de
resgatar o estudo bíblico em conjunto nas classes. Constato uma tentativa da
liderança das igrejas de despertarem os membros para a importância do alimento
espiritual semanal.
Por falar
em lideranças desesperadas, vejo muitas ações serem tentadas sem sucesso. Uma
delas, por exemplo, é culpar a literatura da CBB. Alunos ausentes acusam o conteúdo das revistas de nossa convenção como
sendo o culpado pelo seu menosprezo para com as aulas de domingo de manhã.
Desesperados,
os líderes procuram novidades. Usam revistas da Cristã Evangélica, da Assembleia
de Deus ou da Presbiteriana e, após alguns trimestres, constatam que não fez a
menor diferença. Os alunos ausentes continuam ausentes e nem percebem o quanto
nosso material mudou para melhor. Aliás, do lado de lá, as outras denominações
fazem a mesma coisa, e usam a nossa literatura!
Então,
por que a EBD de muitas igrejas batistas está vazia? Arrisco responder que é
porque o Diabo tem colocado mentiras na cabeça dos seus membros. Ingenuamente,
eles têm cedido a tais enganos. Citar o Diabo é sempre desconfortável, porém,
necessário. Não deve ser usado como desculpa para tirar nossa responsabilidade,
mas precisamos e devemos ficar atentos aos seus ardis. Por isso, quero chamar
sua atenção para os cinco
mitos
diabólicos que têm penetrado no pensamento de membros de igrejas e afastando-os
da EBD. Destruir tais mitos é uma tentativa de reanimar a velha e boa escola
bíblica onde a chama dela está fraca ou apagada.
Vamos aos mitos.
Não preciso ir à EBD porque já
ouço a mensagem do pastor à noite.
A
mensagem do púlpito no culto tem um objetivo diferente da aula na EBD. Na aula recebemos
o suporte técnico para encontrarmos respostas para nossos desafios diários. Na
mensagem do pastor, recebemos respostas práticas para desafios específicos.
Assim,
quantas
vezes, ao ouvirmos uma edificante mensagem, saímos com outras dúvidas sobre o
texto lido que não foram sanadas na mensagem porque o objetivo dela era outro?
Somente na aula da EBD temos a oportunidade de dirimir as dúvidas que surgem,
questionando sobre elas.
Não preciso ir à EBD porque já
sei o que o professor vai falar.
Acontece
que, sempre que vem à nossa mente um pensamento que afirma uma suposta
superioridade nossa sobre outros irmãos – “eu sei mais que o professor” -,
podemos ter absoluta certeza que a origem de tal pensamento é diabólica (Fp
2.3).
Se a aula
está irrelevante, a culpa é do próprio aluno, que chegou desinteressado.
Se ele
previamente estudar a lição e levar novos questionamentos, o professor
automaticamente será desafiado a trazer novas respostas e a aula poderá ficar
muito mais
interessante.
Muitas vezes, os alunos que afirmam que as aulas são desmotivadoras são os
próprios que poderiam e deveriam assumir como professores mais estimuladores.
Não vou à EBD porque é invenção
de homens.
O fato da
EBD não aparecer diretamente na Bíblia não significa que ela deve ser
menosprezada
por isso. Há várias coisas que fazemos nas nossas igrejas que não estão na
Bíblia e, mesmo assim, são ótimas ferramentas. Tiago 1.17 afirma que toda boa
dádiva vem de Deus.
Portanto,
mesmo sendo uma invenção humana, se a EBD é boa e edificante, ela tem origem
divina.
Não vou à EBD porque estudo a
Bíblia sozinho em casa.
Quem usa
essa mentira como desculpa está enganando a si mesmo. Na verdade, quanto mais
você estuda a Bíblia, mais sede você sente. Quando você estuda a Bíblia em
casa, você fica ansioso para que chegue o domingo de manhã.
A EBD é desmotivadora porque
deveria ser mais dinâmica.
Não se
trata, porém, de um problema específico da EBD. É uma desculpa generalizada da
educação em todas as áreas porque é uma crise da sociedade como um todo.
Atualmente, somos bombardeados por informações rápidas que têm como objetivo
nos manter na superficialidade e retirar de nós o tempo necessário para
amadurecer as informações e desenvolver uma reflexão crítica. Por isso, tudo
que é reflexivo (não dinâmico) é taxado de “chato” por quem se recusa a
mergulhar mais fundo. A igreja tem obrigação de fazer o contrário do que o
mundo faz. Assim, a EBD não deve ser mais um lugar de bombardeio de informações
rasas, mas lugar de digerir informações densas.
Analisado os mitos, talvez você
ainda se questione: por que o Diabo quer nos afastar
da EBD?
Arrisco
três respostas: Porque fica mais fácil para ele
enganar os cristãos. Todos os
dias vejo dezenas de mensagens teológicas sendo indiretamente divulgadas pela
Internet. Muitas
delas são
erradas do ponto de vista da doutrina bíblica.
Contudo,
muitos membros de igreja estão sendo enganados por elas. Quando você as
corrige, geralmente o argumento usado para a defesa delas é que trata-se de um
detalhe que não merece importância. No entanto, a grande estratégia do Diabo é
dizer que um pequeno erro não trás grandes problemas. Se fosse assim, Paulo não
teria escrito a Carta aos Gálatas, para corrigir os judaizantes, e nem a Carta
aos Colossenses, para corrigir os
gnósticos.
É como um avião: se, ao decolar de Brasília, ele mudar irrisoriamente a direção
da sua rota, duas horas depois, ao invés de pousar em Vitória, ele estará
pousando em Salvador. Pequenos erros teológicos causam grandes estragos
espirituais a longo prazo. Assim, o Diabo quer afastar pessoas da EBD para que
não aprendam a sã doutrina e sejam ludibriadas pelas mensagens da mídia.
Porque sem frequentar a EBD os
cristãos ficam mais fracos.
Nas duas
vezes em que Jesus se referiu ao estudo da Bíblia, ele usou o verbo no plural
(Jo 5.39 e Mateus 22.29). O Diabo sabe que fica mais fácil atingir os cristãos
se eles andarem sozinhos. Quando Pedro recusou-se a estar com os outros discípulos,
ele caiu
(Lc
22.54-62). Mas, depois, ele aprendeu a lição e passou a frequentar o templo com
disciplina (At 3:1-10), o que o tornou forte, contrastando com aquele que
estava doente à porta. Aquele que frequenta o local de estudo bíblico com
disciplina fica forte para ministrar na vida daqueles que estão doentes e
contagiá-los, pois assim que ficou são o ex-mendigo
também
entrou. Quem fica sozinho do lado de fora, fica espiritualmente doente, porque
fica fraco.
Porque é mais fácil para o Diabo
colocar dúvida nos corações daqueles que não
frequentam a EBD. Uma velha estratégia de Satanás
é colocar dúvida em relação à Palavra de Deus. Deu certo com Eva (Gn 3) mas não
deu certo com Jesus (Mt 4). Durante a semana, você ouve muitas críticas às
doutrinas fundamentais do cristianismo. A EBD é o local para compartilhá-las e,
consequentemente, encontrar respostas. Se você não faz tal
exercício,
aos poucos a sua fé vai se exaurindo.
Concluindo,
nossa oração é despertar nos membros das nossas igrejas um ardente interesse
pela frequência assídua à EBD. Rejeitando os mitos diabólicos, sejamos cristãos
fortes e doutrinariamente saudáveis.
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